Mico 2
COMO LIVRAR-SE DOS "MACAQUINHOS"
Capítulo Segundo
O Gerente volta ao escritório, Segunda-Feira de manhã, em tempo para permitir
que seus quatro subordinados se reúnam na ante-sala para vê-lo às voltas com os
"macaquinhos" que lhe colocaram nas costas. Ele os chama à sua sala, um por vez.
A finalidade de cada entrevista é a de pegar um "macaquinho", colocá-lo
jeitosamente sobre a mesa entre eles e, em conjunto, imaginar de que modo a
providência seguinte poderá ficar por conta do subordinado. Em certos casos,
isso pode ser uma tremenda dureza.
A próxima providência, por parte do subordinado, poderá ser definida de maneira
tão vaga e indecifrável por este que o Gerente resolva - pelo menos por enquanto
- deixar o macaco passar a noite nas costas do subordinado, fazendo com que este
o traga de volta no dia seguinte, a uma determinada hora, para continuarem a
discussão em conjunto, e só então seja tomada uma deliberação mais concreta por
parte do subordinado.
É bom que se diga que os macacos costumam dormir tão bem nas costas ou nos
ombros dos subordinados quanto nas costas de seus superiores.
À medida que os subordinados vão deixando a sala, o Gerente é recompensado pela
visão dos "macaquinhos" saindo de seu escritório, montados nas costas de cada
subordinado. Durante as 24 horas seguintes, o subordinado não ficará esperando,
mas sim o Gerente é que estará aguardando o subalterno.
Mais tarde, como se fosse para lembrar-se de que não existe nenhuma lei que o
proíba de dedicar-se a um exercício saudável e útil nesse meio tempo, o Gerente
passa pelas salas de seus auxiliares, dá uma espiadinha pela porta e,
jovialmente, pergunta: "Como vai a coisa, rapazes?"
O tempo gasto com isso é "discricionário" para o Gerente e "imposto pelo
supervisor" para o subordinado (parece que algumas coisas estão começando a
entrar nos eixos...).
Quando o subordinado (com o "macaco" às costas) e o Gerente se reúnem à hora
aprazada do dia seguinte, o Gerente explica quais são os regulamentos, mais ou
menos assim: "De maneira alguma, enquanto eu o estiver ajudando nesta ou em
qualquer outra questão, o seu problema se tornará meu problema. No momento em
que o seu problema se tornar meu, você não mais terá um problema em suas mãos. E
eu não posso ajudar quem não tem problemas, certo? Portanto, quando esta reunião
se encerrar, o problema sairá desta sala exatamente da mesma forma como entrou -
nos seus ombros. Você poderá pedir a minha ajuda a qualquer momento e nós
tomaremos uma decisão conjunta sobre qual será a próxima providência a ser
tomada e qual dos dois a tomará".
"Nos raros casos em que a providência seguinte couber a mim, você e eu
estabeleceremos isso de comum acordo. Portanto, fica entendido que eu não
tomarei nenhuma providência sozinho!"
O Gerente segue esta mesma linha de pensamento com cada um de seus subordinados,
até que lá pelas 11 horas da manhã percebe que não precisa mais manter a porta
fechada. Seus "macaquinhos" desapareceram quase todos. Eles poderão voltar - mas
somente com hora marcada. Sua agenda de compromissos vai cuidar disso,
doravante.
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TRANSFERINDO A INICIATIVA
O que estivemos tentando fazer com esta analogia do "macaquinho nas costas" é
transferir a iniciativa do Gerente para seus subordinados e mantê-la aí.
Procuramos ressaltar um truísmo tão evidente quanto sutil. Ou seja, antes que um
Gerente possa criar o senso de iniciativa em seus subordinados, deverá
assegurar-se de que eles têm iniciativa. Se ele a tirar deles, não mais a terão
e então ele pode perfeitamente dar adeus ao seu "tempo discricionário". Voltará,
todo ele, a ser "tempo imposto pelos subordinados".
Também não é possível que ambos, Gerente e subordinado, tomem a mesma iniciativa
ao mesmo tempo. O clássico início de conversa, "Chefe, temos um pequeno
problema", dá a entender essa dualidade e apresenta, conforme já ressaltado
anteriormente, que há um "macaquinho" empoleirado nas costas de cada um, o que é
uma forma muito ruim de abordar qualquer assunto. Por isso, tomemos alguns
minutos para examinar o que preferimos chamar de "Anatomia de Iniciativa
Administrativa".
Existem quatro graus de iniciativa que um Administrador pode exercer em relação
ao Superior e à Organização:
1. Espere até ser chamado (mínima iniciativa);
2. Pergunte o que deve fazer;
3. Recomende, depois tome a ação resultante;
4. Aja, mas informe normalmente (máxima iniciativa).
Evidentemente, o Administrador deve ser suficientemente profissional para não
tomar as iniciativas 1 e 2, quer seja em relação aos Supervisores ou à
Organização. Um Administrador que se vale da iniciativa 1 não pode controlar os
prazos nem o tipo de aproveitamento do tempo imposto pelo Supervisor ou pela
Organização.
Por conseguinte, ele abre mão de todo e qualquer direito de reclamar daquilo que
lhe é mandado fazer ou da hora em que deve fazê-lo. O Gerente que toma a
iniciativa 2 pode controlar os prazos, porém não o aproveitamento do tempo. As
iniciativas 3 e 4 deixam o Administrador com condições de controlar ambas as
coisas, sendo que o maior controle é o nível 4.
A função do Gerente, em relação às iniciativas tomadas por seus subordinados, é
dupla: primeiro, a de descartar o uso das iniciativas 1 e 2, forçando seus
subordinados a aprenderem a dominar o "Trabalho em Equipe"; ou então para
certificar-se de que para cada problema ou "macaco" que sai de sua sala existe
um nível estipulado de iniciativa que lhe é atribuído, além de prazo e local
pré-estabelecidos para a reunião posterior entre o Gerente e o subordinado. Isso
deve ser devidamente anotado na agenda do Gerente.
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COMO CUIDAR DOS "MACAQUINHOS"
A fim de melhor estabelecer nossa analogia entre a estória do "macaquinho nas
costas" e os conhecidos processos de atribuir e controlar tarefas, voltemos
rapidamente à programação ou agenda de compromissos do Administrador, que
estipula cinco regras estritas e objetivas regulamentando os "Cuidados e
Alimentação de Macacos". Qualquer violação dessas regras custará tempo
discricionário!
Regra 1
Os "macaquinhos" devem ser tratados ou mortos a tiros. Se não, eles morrem de
fome e o Administrador perderá tempo valioso com as cerimônias fúnebres ou
tentativas de ressuscitá-los.
Regra 2
A população de "macacos" deve ser mantida abaixo do limite que o Administrador
tem condições de cuidar. Seus subordinados criarão tantos "macaquinhos" quantos
ele tiver tempo de tratar, mas não mais. Não deve levar mais de cinco a quinze
minutos para cuidar de um "macaquinho" já devidamente preparado.
Regra 3
Os "macaquinhos" só devem ser atendidos com hora marcada. O Administrador não
deve, de jeito nenhum, ter de cuidar de macacos que estejam morrendo à míngua e
alimentá-los na base do "Deus nos acuda".
Regra 4
Os "macaquinhos" devem ser tratados pessoalmente ou pelo telefone, mas nunca por
escrito. (Se for escrito, a providência seguinte caberá ao superior -
lembra-se?). A troca de correspondência, CC mail, E-mails, etc. podem ajudar no
processo de alimentação, mas não substituem a comida.
Regra 5
Todo "macaco" deve ter uma hora marcada para a "próxima refeição" bem como um
"grau de iniciativa" pré-estabelecido. Ambos devem ser revisados a qualquer
momento, de comum acordo, mas não devem ser vagos ou indefinidos. Caso
contrário, o "macaco" ou morre de inanição ou acaba outra vez nas costas do
Administrador.
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CONCLUINDO
O conselho "mantenha controle dos prazos e do tipo de ação que tomar" constitui
um elemento válido para gerir o tempo administrativo. A primeira recomendação
administrativa é para que o Administrador aumente seu tempo discricionário,
eliminado o tempo imposto por seus subordinados.
A segunda é para que utilize parte do tempo discricionário recém-criado para
assegurar-se de que cada um de seus subordinados possui realmente a suficiente
iniciativa, sem a qual não pode exercer uma atividade administrativa e, então,
certificar-se de que tal iniciativa seja realmente tomada.
A terceira é para que use outra parte
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